A multidão, sedenta por sangue, ataca legumes num enforcado ainda pendurado pela corda que o asfixiou até a morte. Vilão ou não, o morto está lá pra impor moral. O tempo está nublado, o chão enlameado. O cheiro de excremento é insuportável... o odor fétido dos dejetos humanos jogados nas ruas, graças a falta de saneamento e higiene básica.
Um grupo de plebeus, iludidos com o monarca regente, empunha rastelos, pás, tochas, entre outras armas improvisadas, em prol de atacar o aglomerado de religiosos fanáticos que, ‘em nome de deus’, justificam seus piores crimes (o tal enforcamento ali presente exemplifica). É a religião versus a política... a guerra cega dos interesses ocos... a colisão entre os tipos de burrices.
Então vem o derramamento de sangue, inclusive, de crianças inocentes que corriam assustadas do alvoroço. A batalha é tão destrutiva que o enforcado acaba sendo decapitado por acidente: “alguém se pendurou nele! ”
O Cardeal surge e determina que os guardas interfiram na confusão. Todos são assassinados sem misericórdia... tanto os tapados religiosos e quanto os escravos da monarquia. O Cardeal gargalha como se o Diabo em pessoa tivesse entranhado nele. O Rei, viúvo, quando fica sabendo do êxito da chacina, nem sequer se importa. Sua Majestade enche a taça de vinho, mastiga, como um animal selvagem, a coxa do frango mal assado enquanto libera seus gases intestinais, sendo acariciado por suas três concubinas que não passam dos 13 anos de idade.
As eras mudam, contudo, o sapiens continua fazendo o que faz de melhor, que é mostrar ser incapaz de evoluir. As grandes tragédias do planeta Terra existem, talvez, eternamente. Só trocam de nomes, conforme as fases da humanidade se modificam.
É histeria em massa. Caos social. Ignorância epidêmica. Ausência voluntária de instrução. Ninguém questiona.
Corpos sem cérebros geram receptáculos pra forças maiores os conduzirem. Dentro dessa dimensão podre, a única coisa que os poucos caídos como eu podem fazer é optar pelo silêncio e pela invisibilidade. Como dizem: "vocês que se entendam!"


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